As formigas


                                         


O sistema de um formigueiro funciona independente de sua rainha estar no espaço da colônia. O trabalho das formiguinhas é no ritmo fervoroso seguindo um planejamento que gera uma rede de comunicação não local. No entanto se a rainha for morta todo o trabalho é interrompido. E imediatamente nenhuma formiguinha sabe mais o que fazer. Elas entram em colapso.
Cientistas apontam isso como o "Plano de Construção", em que rainha pode não está presente, desde que ela esteja viva.  Trazendo esse sistema para nossa realidade me pergunto se os humanos com a sua mentalidade de rebanho condicionados pelas religiões não são meras formiguinhas vivendo em função de uma Rainha?
A idealização de um Deus, de uma divindade, que sentado em seu trono pode subjugar, fazer justiça, pedi obediência e  ainda existir bilhões de pessoas que sujeitam seus cérebros para uma suposta salvação.
Salvação ou absolvição por um paraíso. Somos condenados a perfeição. E perfeição essa que nem o próprio criador possui. Admiro tanto Jesus Cristo, um revolucionário do Amor, mas ele levou uma parte da humanidade para o cárcere de um condicionamento mental. Estamos preso nessa singularidade sem entender o motivo. E temos que viver e viver cada existência como se fosse a primeira sem nenhum manual de instrução.
Genes repassam informações, mas o condicionamento exerce um poder maior. Temos livre arbítrio, algo que as formigas não possuem, afinal são mecanizadas e vivem em função de sobreviver apenas e alimentar o seu "Deus", sua rainha. Mas o que fazemos com esse poder muitas vezes não é culpa do criador... Acredito que cada um possue dentro de si essa voz que o acorda todo dia e e não deixa desistir. O humano é curioso. É isso que nos move nessa Matrix. Podemos ser poucos... Muitos poucos, mas estamos evolucionando nosso campo morfogenético. Justamente por não aceitamos o condutor doente, e mesmo assim tentaremos amá-lo, sem saber o motivo de nossos espíritos terem aceitados essa inglória tarefa.
Dos meus olhos cansandos não imaginei a dor, afinal a sentia em cada minuto existencial. Os pesos sobre meus ombros não são tão grandes, porém não posso poupar de pensar e lutar por uma suposta verdade. Não ser condicionada ao rebanho. De fazer do meu arbítrio algo maior do que ser apenas um humano agindo como uma formiguinha.

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